segunda-feira, outubro 17, 2016

feliz aniversário, papai

No elevador, cheia de sacolas e coisas nas mãos. Entra um senhor, digo "boa noite". Ele deu um sorriso terno: "ainda é de manhã".

Enquanto eu seguia sem sentido nessa conversa estranha, um outro eu lá de trás falava saltitante, balançando os cabelos livres ao sol ---- como uma menina brincando no quintal ao pé de uma pitangueira --- "é aniversário do meu pai!", justificando de onde vinha a alegria e a confusão.


Da frente, seguia um papo bobo sobre o horário de verão, entendendo que de fato era esse não-mais quem se soltava sem sentido e com palavras desconexas da minha boca. Sem pesar, apenas assim.


Coexistências.

domingo, julho 03, 2016

sexta-feira, junho 24, 2016

vozes

Ouvia uma voz que dizia "vai, menina... vai e tira Morpheu pra dançar..."

quarta-feira, junho 15, 2016

declaração

- Eu vou pra mais longe.
- Leva o violão.
- Eu vivo outras paqueras.
- Quero saber de ti, me conta?
- Dimanche.
- Posso perguntar?
- Talvez melhor falarmos depois.
- Tá certo.
- Bj.

quarta-feira, maio 11, 2016

liberdade

Em dado momento, vc disse que eu podia.
E eu acreditei --- pra sempre.
Tolinha...

segunda-feira, abril 25, 2016

quarta-feira, abril 13, 2016

a vida tem sentido



e, sem saber qual era a resposta, escreveu 'NDA' entre o V e o F. tirou zero e seguiu em frente sem olhar para trás. certeza apenas de que seus pés tocavam o chão e seu resto dançava entre as nuvens.

domingo, agosto 30, 2015

meu castelo [WIP version]

moro aqui
nesse pedacinho do que não é.
do que não é concreto
do que não é material
do que não é.

nesse pedacinho que é buraco
buraco na parede
buraco de vida
buraco com vidro em volta
buraco de ser gente.

nesse castelo
construído longe do chão,
com caminhos e degraus às centenas
com multidão.

nesse palácio
sem súditos ou reis,
mas que me faz rainha
de um lugar que é meu
onde tudo posso,
danço contente,
choro até dormir.
onde todo mundo é gente,
onde nem todo mundo sente
ser bem-vindo ou convidado.
nesse lugar
quem manda sou eu.

entre o bem e o mal

Como orgânicos, integrais, nuggets e comida congelada. Sou assim, um pouco misturada. Em algum momento, me descobri em algum lugar entre o bem e o mal.

terça-feira, dezembro 30, 2014

livre leve e solta

Logo que me mudei pro MEU apartamento, comecei um namorico com um moço que dizia andar sempre pelado pela casa, achava aquilo tudo muito esquisito. Nudez era pra mim algo mais pra alguma intimidade. Entre quatro paredes, banho e algumas poucas outras exceções à regra, quem sabe. Achava aquilo meio despudorado, beirando a perversão quase ou talvez um fetichismo que eu não entendia bem.

Ahhh... a ingenuidade das coisas. Sentir o vento na pele, a sensação de estar em casa, sentada à janela como se sozinha no mundo, e como o mundo se apresentou a mim lá a algumas dezenas de anos atrás. Muito melhor! 

H., hoje te entendo e te agradeço imenso pelo prazer de viver livre!
E pra quem fizer mesmo questão de olhar pela MINHA janela: Mazel Tov!!!

sexta-feira, dezembro 12, 2014

módulo 03

Um pouco sim, um pouco não.
De tudo que vem do chão,
como pó que sobe com vento
e cai lento na noite calada.

Calada, muda. Muda.
Que cresce com sol
Que vibra com a lua
Que chora na chuva
No meio do som do povo que passa
Multidão.

Um pouco não, um pouco sim.
Palavra consome. Some. Muda.
Calada, brava, perversa.
Num tom de ironia, ria, falava, tramava, chorava e ia.

Um pouco disso e daquilo.
Daquele outro pouco talvez.
De tudo um outro se fez,
quando surgiu um não, outro sim.

Me fiz de novo do pó.
Do que restou outra vez,
Nasci de nada e contudo,
nunca morri.
Só conflito.