terça-feira, janeiro 30, 2018

sábado, julho 15, 2017

desejos

não quero teu cheiro
tua pena
tua consciência limpa

não quero tuas palavras brandas
educação
e teu legal

quero teu pescoço
onde encostar a cabeça
tuas mãos na nuca
e teu todo em mim.

quero assim.

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notas: ainda sobre 2016. título aleatório.

segunda-feira, outubro 17, 2016

casal

ela escreveu.
ele nunca leria.
ela queria.
ele distante.
ela chorava.
ele sorria.
ela pensava.
ele silêncio.
ela era vida.
ele vivia.
ela contava.
ele não lia.

feliz aniversário, papai

No elevador, cheia de sacolas e coisas nas mãos. Entra um senhor, digo "boa noite". Ele deu um sorriso terno: "ainda é de manhã".

Enquanto eu seguia sem sentido nessa conversa estranha, um outro eu lá de trás falava saltitante, balançando os cabelos livres ao sol ---- como uma menina brincando no quintal ao pé de uma pitangueira --- "é aniversário do meu pai!", justificando de onde vinha a alegria e a confusão.


Da frente, seguia um papo bobo sobre o horário de verão, entendendo que de fato era esse não-mais quem se soltava sem sentido e com palavras desconexas da minha boca. Sem pesar, apenas assim.


Coexistências.

domingo, julho 03, 2016

sexta-feira, junho 24, 2016

vozes

Ouvia uma voz que dizia "vai, menina... vai e tira Morpheu pra dançar..."

quarta-feira, junho 15, 2016

declaração

- Eu vou pra mais longe.
- Leva o violão.
- Eu vivo outras paqueras.
- Quero saber de ti, me conta?
- Dimanche.
- Posso perguntar?
- Talvez melhor falarmos depois.
- Tá certo.
- Bj.

quarta-feira, maio 11, 2016

quarta-feira, abril 13, 2016

a vida tem sentido



e, sem saber qual era a resposta, escreveu 'NDA' entre o V e o F. tirou zero e seguiu em frente sem olhar para trás. certeza apenas de que seus pés tocavam o chão e seu resto dançava entre as nuvens.

domingo, agosto 30, 2015

meu castelo [WIP version]

moro aqui
nesse pedacinho do que não é.
do que não é concreto
do que não é material
do que não é.

nesse pedacinho que é buraco
buraco na parede
buraco de vida
buraco com vidro em volta
buraco de ser gente.

nesse castelo
construído longe do chão,
com caminhos e degraus às centenas
com multidão.

nesse palácio
sem súditos ou reis,
mas que me faz rainha
de um lugar que é meu
onde tudo posso,
danço contente,
choro até dormir.
onde todo mundo é gente,
onde nem todo mundo sente
ser bem-vindo ou convidado.
nesse lugar
quem manda sou eu.