Quinta-feira, Maio 28, 2009

fatorial

são paulo é sempre um emaranhado de ruas e possibilidades. pode ser andada de infinitas formas, com infinitas histórias, imagens, sorrisos, cheiros e rostos e cabelos e mãos e pés.
infinitas são tantas quanto for a grandeza da cidade, multiplicada decrescente até chegar a um: eu ou você ou ele ou ela ou it.
como numa aula de análise combinatória em que a – no caso, obrigatória – exclamação explica qual o valor.
são paulo!

Quinta-feira, Maio 14, 2009

hoje

hj seria perfeito...
se fosse domingo
com churrasco marcado
com você do meu lado
tocando um samba sambado
num doce balanço a caminho do mar

Segunda-feira, Maio 04, 2009

108

Tinha achado gostoso e até divertida a história de passar os dias sentado numa cadeira de plástico branca colocada no canto de sua varanda coberta de azulejos com desenhos estranhos. Se inscreveu no campeonato de damas, esquecia quando era quarta-feira e perdeu as eliminatórias por W.O., riu de si mesmo sentado na cadeira de plástico branca colocada no canto de sua varanda coberta de azulejos com desenhos estranhos. Sentia falta da leve pressão que lhe faziam os sapatos nos mindinhos no fim do dia. Sentia falta de abrir o primeiro botão da camisa a caminho do ponto no fim da tarde. Sentia falta dos fins de semana que agora não tinham mais fim sentado numa cadeira de plástico branca colocada no canto de sua varanda coberta de azulejos com desenhos estranhos.

Assistia a todos os jornais e ainda ouvia notícias num radinho. Quase contava dias, quase contava meses, sabia que haviam se passado 13 anos sentado na mesma cadeira de plástico branca colocada no canto de sua varanda coberta de azulejos com desenhos estranhos. Não queria mais saber de cadeira branca ou dos azulejos.

Vestiu a camisa bem passada de linho cinza e os sapatos que apertavam de leve o mindinho esquerdo já desde cedo e andou até o banco. Pediu ajuda a uma jovem bonita de cabelos fartos e rosto rosado para pegar a senha para atendimento nos caixas, e não queria a prioritária, tinha tempo, queria tempo. Agradeceu e logo se dirigiu às fileiras de cadeiras voltadas para o painel que indicava as senhas e os guichês. Com uma timidez cortada pela ansiedade quase adolescente perguntou: "quem é o 107? quem é o 107?", a quem respondeu um senhor da última fileira levantando a mão. Andou até ele trapalhada e vagarosamente por entre as fileiras. Sentou numa cadeira de plástico branca. Outra.
- Prazer, eu sou o 108. Tudo bem? É importante fazer contatos hoje em dia. Então, o senhor faz o quê?

Sábado, Abril 25, 2009

A Internet possibilita um monte de coisas bem boas, as coisas passam a ser todas instantâneas, universais e todas ao mesmo tempo agora. Mas o que eu gosto mesmo mesmo é da possibilidade de deleção.
Por mais que uma vez postado, escrito, publicado, já não tenha mais jeito - vc pode ter o mundo como testemunha -, acho libertadora a sensação de poder voltar atrás, apagar e escrever de novo do jeito que quiser, demonstrando abertamente que nesse novo momento o post é outro, é tudo outro. Pode mesmo deletar o blog, cometer orkuticídio e tantos outros assassinatos e simplemente começar de novo, do novo zero que determinou para si.

E claro, dá pra fazer isso na vida real também. Mas cara a cara, às vezes, é mais difícil.

Sexta-feira, Abril 24, 2009

o medo do desconhecido é mais antigo e batido que qualquer outra coisa em que eu possa pensar, mas quando bate à porta e se percebe que afinal esse desconhecido é mais um esquecido ou um indesejado, a coisa muda de figura e chega a hora de encará-lo. de frente. de peito aberto, com direito a silicone e uplift.

claro que quando se percebe isso, ao mesmo tempo que se pega a espada pra seguir em frente, o medo começa a tomar toda uma outra forma e - pasme! - fica pior. descobre-se que é medo do conhecido, mas empurrado lá pra baixo, pros confins do in(ou sub)consciente. é medo que não é real, mas que já foi um dia, e passa a ser hoje um medo com uma carga de tempo grande demais pra conseguir enfrentar de cara limpa.

gostava mais de quando eu tinha medo de descer a escada sozinha às 5 da manhã dos sábados, acordava e ficava sentada entre as portas dos quartos dos meus pais esperando alguém vir me ajudar a ter coragem.

Quinta-feira, Abril 23, 2009

algumas coisas parecem tão ridiculamente ridículas que nem as percebemos lá. pois chegou a hora de rever como é importante a capacidade de:
1) carregar um livro do sofá da sala à mesa da cozinha
2) ficar de pé, a 90 graus do chão
3) vestir uma calça de pé
4) se virar na cama à noite
5) não perceber que a escada que te separa da sua cama tem 14 degraus
6) fazer xixi na pausa de 75 segundos no meio do filme
7) pedir ajuda, nem que seja pra carregar um livro do sofá da sala à mesa da cozinha

note to self: lembrar dessas coisas ridiculamente ridículas.

Quarta-feira, Abril 22, 2009

o som da solidão

Acho que morar sozinha faria muito bem à minha escrita. Venho percebendo que vou lá fora, falo com pessoas, twíto, leio, vejo jornal, ando na rua, vejo táxis. Depois, à noite, quando estou sozinha em silêncio no meu quarto, ouvindo poucos carros passarem sozinhos na rua, com a luz já a meia luz só lá longe na cabeceira, eu sento e muitas idéias vêm inteiras na minha cabeça. Não há mais fragmentos cortados por mais uma informação que chega ou mais um telefone que toca. É nessa hora que está tudo em silêncio, menos eu. Eu tenho discursos prontos que minha cabeça parece ter passado o dia todo tecendo. Eu tenho histórias completas e detalhadas sobre seres e faunos, músicas e poemas, críticas, argumentos e protestos. Quando eu deito e apago a luz, logo antes de adormecer, é quando a solidão começa a cantar e as palavras começam a me sair pelos poros. Acho que por isso sonho. Quando acordo, o barulho e o mundo esmigalham todas as idéias de novo e começo de novo a tricotar.

Terça-feira, Abril 21, 2009

My GPS

While I was showering, a not so unusual thought popped into my head: "what turns me on?"

This is not one of those questions that can't be fastly answered, not if you want to tell the truth at least... Then I started thinking about the guys that most turned me on, about the things that most turned me on, foods, beverages, places and the whole firing up deal.

No, I guess I won't write down a list of things or a map to this treasure - not today I won't. But one of the things that gets me in the mood is that someone who does something really well, and I don't mean a specific thing, just doing it well. I've shaken while sitting down by the side of an amazing driver, who knew how to move through the cars that passed by so secure, that could pay attention to the music, make a turn, keep up a conversation, speed a bit, but just enough so that I wouldn't ask him to slow down and still make it fast enough and manly enough so that I'd almost melt down by him changing gears...

What the hell?! Doing something really well turns me on, but if that something is driving, even better.

And OK, I admit I started picturing a specific person while I was writing and that made me lose focus, but it doesn't change the subject or the mood, it makes it stronger.

Sexta-feira, Abril 03, 2009

Overrated

Não sinto muito em dizer isso, mas eu odeio dormir de conchinha. Sinto muito (agora sim) que todos - ou a grande maioria - das pessoas que dormiram comigo tenham achado o máximo. O que há de bom em não poder se mexer sem acordar o outro, passar calor e ter alguém fungando no seu cangote a noite toda? E mesmo que venham com o argumento de que não é a noite toda, é só o começo, não adianta, é mesmo no começo da noite que eu preciso conseguir dormir, depois estou dormindo, não me importo muito mias.

Posso correr o risco de soar pouco romântica, mas take some time to think this through: poder realmente dormir depois de fazer uma festinha é bem poético, ao contrário de passar algumas horas em sofrimento, respirando levinho e fazendo cara de "ai que gotoso!".

Mas o pior não tem limite e, se quiser acabar com meu bom humor (pós festinha ou não), me coloque pra dormir de conchinha numa cama de solteiro encostada à parede comigo pelo lado de dentro... morri. Mas de qualquer jeito, deveria morrer mesmo, com a idade a gente não deveria ser mais obrigado a passar por certas coisa, mas c'est la vie.

Pra mim, 'dormir com alguém' é uma questão de intimidade e, como diz a própria expressão, pressupõe que se dorme. Mas como dormir é algo absolutamente pessoal, durmo ao lado de alguém e pode ser concomitantemente, mas durmo sozinha. Eu beijo outra pessoa, abraço outra pessoa, transo com outar pessoa, ou faço amor (que são coisas diferentes) com outra pessoa, mas dormir não dá... eu durmo e você dorme, mas cada um sozinho, ainda que na compania de... então por favor não me rele, deixe que meus pés fiquem pra fora e com um travesseiro todo pra mim. Vou acordar mais feliz e, trust me, vc vai me querer feliz quando eu acordar.

(nota da autora: dont't worry! 1st crappy version)

Domingo, Março 01, 2009

Bullshitt

Quem disse que as pessoas mais interessantes eram aquelas que não sabiam o que queriam ser antes dos 30 era um idiota.

Cresci acreditando nisso e veja onde isso me levou. Devo ser um espécime a ser estudado tamanha a riqueza da minha psique, mas a sensação mesmo é de ter um grande L estampado na testa.

Quando pequena, queria ser bailarina. Adolescente, coreógrafa. Na época do vestibular, administradora, turismóloga (?), psicóloga ou publicitária. Na pós-adolescência (leia-se na faculdade e um pouco depois), marketeira. Nada com muito afinco ou com aquela defesa da profissão que faz brilhar os olhos. Houve um tempo em que quis ser escritora, mas como foi seguido por um branco literário, foi por água. E a essas poderia juntar dançarina de country, animadora de balada alheia, pesquisadora, atendimento, professora e dog walker.

As profissões e os sonhos instantâneos foram seguindo junto com os anos e quando chegaram os 30, desabei. Além da crise dos 30 normal, caiu o mito. Não me achava nada acima da média das pessoas interessantes. Me achava, aliás, a menos interessante das pessoas interessantes que eu conhecia.

Em 5 dias sigo o próximo passo. E me pergunto – o que dizem de interessante das pessoas que não sabem o que querem ser depois dos 31?

(Nota da autora: bullshitt 1st draft)

Segunda-feira, Novembro 24, 2008

eu já disse hoje que adoro fazer terapia?
uma rosa é uma rosa é uma rosa.

Domingo, Novembro 23, 2008

do dia: o resto é saudade...